Falta de originalidade não tira brilho do bom primeiro capítulo de Apocalipse

Novela da RecordTV se inspirou em filmes e série, mas deixou no público um gostinho de quero mais

Jorge Luiz Brasil

A fumaça negra de Lost marcou presença na estreia da novela | <i>Crédito: Divulgação
A fumaça negra de Lost marcou presença na estreia da novela | Crédito: Divulgação

Seven – Os Sete Crimes Capitais (1995), Lost (2004/2010), O Impossível (2012)... Foram muitas as referências cinematográfica e televisivas no primeiro capítulo de Apocalipse, exibido ontem (terça 21), na tela da RecordTV. E, certamente, muitos outros virão no decorrer da novela. Não que esses filmes e série tenham inventado a pólvora sobre – respectivamente – investigação de crimes cometidos por um exótico serial killer, misteriosa fumaça negra acompanhando os personagens e um tsunami devastando um resort. A questão não é a ideia e sim a forma (tanto estética, quanto de estrutura narrativa) abordada pela novela para esses temas, que foram bastante similares às produções citadas. Nas redes sociais muito foi postado que as cenas protagonizadas pelos investigadores Luís Sardes (Marcelo Argenta) e Guido Fontes (Cleiton Moraes) nem pareciam de novela e sim de filme. Claro que pareciam, foram clonadas de Seven.

Uri (Phelipe Gomes) sendo arrastado pelas águas bravias do tsnunami

O tsunami, muito bem realizado pela equipe efeitos especiais da emissora, foi copiado take a take do filme O Impossível, exibido pela Globo na noite do domingo 19. Para piorar não teve relevância nenhuma para a história. Foi apenas um eficiente chamariz para o público. Achei que a sequência fosse ter alguma influência demoníaca – além da narração de Sérgio Morone, o Anticristo da terceira fase da novela – para justificar o desastre natural. Mas não rolou. E tudo ainda foi muito rápido, gratuíto e sem emoção. Mesmo com tamanha falta de originalidade ou inovação, de maneira geral a estreia de Apocalipse foi boa. Apesar de ainda ser carente de bons diálogos, a autora Vivian de Oliveira amarra bem sua história e fez um capítulo envolvente e deixou no espectador a vontade de assistir mais no dia seguinte. O que é um bom sinal. Ficou provado também que você pode fazer uma boa dramaturgia sem precisar de estrelas. Os nomes mais conhecidos do elenco, no primeiro capítulo, foram Jussara Freire, Castrinho, Lucinha Lins e Manuela do Monte. E a grande maioria estava bem, fossem veteranos ou novatos.


A fumaça negra saiu da ilha de Lost para levar Adriano (Felipe Cunha) a encontrar a mulher com quem irá gerar o Anticristo

Produção técnica caprichada, história envolvente, Apocalipse é uma das novelas mais caras da emissora, com um investimento de R$ 120 milhões, sendo R$ 800 mil por capítulo (estão previstos 150). Com um elenco de mais de 100 atores não foi surpresa a dificuldade de ler os nomes dos atores na impactante abertura. Aliás, vou precisar gravar um capítulo para conseguir ler detalhamento a ordem dos créditos, já que sou obcecado por aberturas, e muitos deles ficam menos de um segundo disponíveis à apreciação. Apocalipse começou sua saga com boa audiência: 13 pontos de média das 20h50 às 21h44 (em São Paulo), estrando a festa do capítulo em que Carinha de Anjo comemorava um ano no ar. A trama do SBT ficou em terceiro lugar. No Rio, o resultado foi ainda melhor: 16 pontos. A Globo que se prepare porque Apocalipse vai dar trabalho.

22/11/2017 - 12:45

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