Gloria Perez explica como temas sociais serão abordados em 'A Força do Querer'

"Procuro falar de dramas que são universais", diz a autora da nova trama das 9

Texto: Carlos Ramos

Gloria Perez | <i>Crédito: Divulgação
Gloria Perez | Crédito: Divulgação
Primeira autora brasileira a ganhar o Emmy Internacional de Melhor Telenovela, com Caminho das índias (2009), Glória Perez volta ao horário nobre com A Força do Querer. “A Janete Clair já dizia que novela é paixão. Então, vale amar ou odiar. Só não quero a indiferença”, explica a autora, que é mestra em abordar temas que levantam discussões acaloradas nas mesas de botequins, filas de cinemas, teatros, supermercados e até de bancos, locais que ela usa como termômetro para medir a aceitação de sua obra. Ainda mais em tempos em que a audiência auferida nos televisores já não retrata a realidade. “Antes, se você perdesse o capítulo da novela, nunca mais ia ver. Hoje, as pessoas vão para casa assistindo a novela no ônibus, no metrô, no trem pelo celular ou tablet”, afirma.

Desta vez, Gloria aborda questões muito presentes no mundo contemporâneo, como a identidade de gênero e a falta de diálogo na família, com um personagem que conversa com os pais, dentro de casa, apenas pelo WhatsApp. Gloria alerta que a tolerância é a palavra-chave deste trabalho. “As redes sociais botaram um microfone na mão de todo mundo. As pessoas impõe o seu querer, o seu jeito de pensar a qualquer custo e até de uma forma muito agressiva. O papel da novela é de falar do que incomoda. Vamos botar essas questões na vitrine”, ensina a acreana, que ambietou os primeiros capítulos da trama das 9 na região amazônica, bem como os costumes e cultura da área Norte do Brasil. 

Em A Força do Querer, qual o grande alerta que você dará? 
A questão trans (transsexualidade) que, evidentemente, sempre existiu. Só que, agora, está sendo mais exposta e causa um certo estranhamento, como acontece com a própria personagem, a Ivana (Carol Duarte), ao não se reconhecer em seu próprio corpo. Trato de outros temas também, como a dependência no jogo, através de Silvana (Lília Cabral), que é um vício muito sério como o álcool. Tem a Bibi Perigosa (Juliana Paes) que só se sente viva segurando um “fio de alta tensão”. É o tipo de pessoa que não suporta que haja qualquer outra coisa na existência do outro, além de ela própria. Procuro falar de dramas que são universais. A história onde eles se passam, só dá a forma. 

Houve reclamações de atores trans por você ter escolhido uma atriz para o papel e não um dele? 
Tive um encontro com vários travestis e procurei explicar a elas que essa questão é uma discussão inócua. Já pensou se tirasse o Marlon Brando de O Poderoso Chefão (1972) para botar no lugar um mafioso de verdade? 

Ao mesmo tempo, o personagem Nonato (Silvero Pereira) é um transformista... 
Ele é diferente. Está totalmente à vontade com o seu corpo. É um artista, uma drag queen. A questão é que ele gosta de se vestir de mulher por prazer, o que só faz nas horas vagas, porque durante o dia, Nonato é motorista de Eurico (Humberto Martins). Ele não pode se apresentar no trabalho vestido diferente daquilo que a carteira de identidade mostra. 

Com lindas atrizes protagonistas, não rola ciúme entre elas? 
Não vai ter ciúmes, porque todas as protagonistas têm seu próprio conflito. Todas têm espaço na trama. A gente não reuniu esse elenco para ter apenas uma porção de nomes. Eles estão ali porque estão adequados para contar uma determinada história.

04/04/2017 - 12:27

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