Herson Capri comenta os desafios de 'Rock Story'

Para viver o personagem Gordo, o ator adotou um look a la Sting e muitas gírias, o que facilita a sua comunicação com o cast jovem da gravadora e o público

Texto: Carlos Ramos

Herson Capri | <i>Crédito: CESAR ALVES / REDE GLOBO
Herson Capri | Crédito: CESAR ALVES / REDE GLOBO
No look de Gordo, personagem de Herson Capri, em Rock Story, chama bastante atenção o cabelo moderninho do ator. Ali tem um truque do departamento de caracterização da Globo, que jogou um pouco de loiro nas pontas para dar um efeito jovial ao grisalho natural do galã. Mas há ainda outros detalhes que ajudam a compor o visual do fundador da Som Discos, baseado no inglês Sting, famoso desde a época em que era o principal compositor, cantor e baixista da banda de rock The Police (1977/2008). “O Gordo usa barba, anel, pulseira, correntinha e fala gírias”, destaca Herson, garantindo que está achando ótima essa imagem diferente, mais jovem. “Ele é um vovô, tem uma coisa assim de loucão, um maluco beleza, mas no bom sentido. Quer estar atualizado com a garotada, integrado com todo o mundo que o cerca”, explica Herson.

E não é para menos, afinal, ele é proprietário de uma gravadora que reúne gerações distintas e rivais em seu cast. Como é o caso de Gui Santiago (Vladimir Brichta), que foi seu genro; o atual, Léo Régis (Rafael Vitti), e até a interesseira cantora Laila (Laila Garin), ex-namorada do produtor. “Gordo é um cara muito legal, o paizão de Diana (Alinne Moraes), o vovô de Chiara (Lara Cariello). Mas, o mix do elenco da Som Discos, no fundo, é o pontapé para retratar os bastidores do showbiz e suas principais estrelas, que o grande público desconhece”, avalia o paranaense. 

Geração dos Beatles 
Aos 65 anos, Herson está para lá de feliz por atuar em uma novela que tem a música como estopim de todo o conflito que surge entre Gui e Léo. E conta que foi uma oportunidade para poder resgatar hábitos musicais que possui desde jovem. “Curto música desde criança. Pertenço à geração dos Beatles, dos Mutantes, da Rita Lee... E de tantos outros grandes nomes. Acompanhei o rock até a época em que precisei começar batalhar para sobreviver. Depois, um pouco menos”, detalha. 

Herson ressalta ainda a importância que o ritmo teve para a sua geração. Ele considera o rock um grito de liberdade, que serviu de trilha sonora para vários movimentos de libertação dos jovens. “Teve uma repercussão muito grande, acompanhou o feminismo, as aberturas democráticas. É um movimento cultural muito importante, tanto que o Bob Dylan ganhou o Prêmio Nobel de Literatura de 2016, aos 75 anos”, explica o galã.

Paizão na vida real
Em Rock Story, o empresário vivido pelo ator tem como braço direito a filha Diana. “Eles têm um relacionamento muito interessante, porque nem sempre concordam. O pai vai mais pelo sentimento, do que pelo lado frio dos negócios, enquanto a filha quer dar ênfase exatamente nisso, no lucro. E não está errada”, reconhece. Mas o grande lance do relacionamento dos dois, destaca Herson, é que ele é baseado em muito afeto. “Gordo enviuvou, criou a Diana praticamente sozinho e a cobriu de mimos. Há conflito entre eles, mas, o amor pela filha e também o amor dele pela neta, é o que fala mais alto”, comenta.

Experiência no assunto ele tem pra dar e vender. Herson é pai de cinco filhos de gerações muito diferentes: Laura, de 40 anos; Pedro, de 37; Lucas, 18; Luiza, 15; e Sofia, de 2 aninhos, os três últimos com com a produtora e diretora Susana Garcia, com quem está casado há mais de 20 anos. E o ator identifica semelhanças de sua vida com a novela, quando o tema é família. “Todos os meus filhos são mimados (risos). Mas no sentido do afeto, do carinho, da atenção. Gostam de estar com a gente. Isso é muito gratificante. É um mimo positivo, não é negativo”, detalha o ex-fumante, que superou um câncer de pulmão, em 1999. “Hoje, estou inteiraço. Malho, corro. Estou bem pra caramba. É a vontade do espírito e o acolhimento da minha família”, conclui.

13/02/2017 - 13:13

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