José Fidalgo se despede de Deus Salve o Rei

"Levo uma novela que ficará na minha memória para sempre... Junte isto à cidade do Rio de Janeiro, e vou embora com lágrimas no olhos", diz o português que pretende fazer mais novelas no Brasil

Fernanda Chaves

José Fidalgo | <i>Crédito: Globo
José Fidalgo | Crédito: Globo

Os portugueses continuam conquistando espaço no Brasil! Em Deus Salve o Rei, os vilões são representados por dois deles: Ricardo Pereira e José Fidalgo. Se, para Ricardo, fazer novela no Brasil já é comum, para Figaldo, interpretar o Constantino na trama das 7 tem um gostinho especial. Este é o primeiro trabalho do gato em terras tupiniquins e ele espera que seja o pontapé inicial para escrever a sua história aqui. “Sempre tive o objetivo de tornar a minha carreira internacional. O Brasil era um sonho. É como se eu estivesse num filme, vivendo um sonho, mas estou nele, é real! Eu me sinto privilegiado por fazer essa novela”, festeja o galã, de 38 anos.

Fidalgo como Manel Paiva, em Amor Maior, da SIC, sua última novela em Portugal. Foto: Instagram

 

TRABALHANDO O SOTAQUE

Para amenizar seu sotaque, o leonino se esforçou muito. “Tenho uma professora de fonética, que é a Leila, então, a grande batalha tem sido com ela. E, depois, é no dia a dia, falando com todos e, principalmente, mais do que falar, é escutar”, explica. “Saber ouvir é primordial para um ator, é a maior ferramenta que você tem. Nesse caso, nós já temos o hábito de ouvir o brasileiro e brincar com as palavras. Nós, portugueses, consumimos tudo o que é produto do Brasil, seja televisivo, seja ligado à própria arte, que tenha música, cinema... Então, chegando aqui é só colocar de uma forma mais profissional. Para que vocês consigam entender aquilo que eu digo, mas à maneira do Constantino”, diferencia.

O ator elogia sua parceira de cena. “Fiquei muito feliz por trabalhar com a Bruna Marquezine, que é uma grande atriz, com um imenso talento”. Foto: Globo

 

PRIVILÉGIO

Para o portuga, atuar é igual em qualquer lugar, mas a diferença é: o que é feito no Brasil é visto pelo mundo todo. “A questão é que aqui estão trabalhando para um produto que é visto por pelos menos 150 milhões de pessoas. Em Portugal, trabalhamos para um universo de um milhão e meio, dois já é uma festa”, conta. “O mundo inteiro vê o produto brasileiro, então, é normal ter um investimento maior. Agora, a mão de obra, os técnicos, os atores, são bons em qualquer lugar do mundo, porque a gente busca especialização em lugares parecidos. A grande diferença é o brinquedo que vocês têm. É um brinquedo enorme, trabalhar nessa estrutura, é um privilégio”, elogia.

Pai de Lourenço, de 8 anos (e de Maria, de 3), ele curtiu o Rio com o filhão. Foto: Globo

 

CARINHO DO PÚBLICO

Fidalgo admite que ficou apreensivo com o julgamento do público com sua estreia em nossas novelas. “Um ator sempre tem medo de críticas. Que atire a primeira pedra aquele ator que diga que não”, assume. “O ser humano fica sempre mais atento ao que há de mal nele, às críticas negativas. O ator tem que ter uma personalidade muito forte para superar isso e, principalmente, para filtrar o que de mal nos foi dito, para saber se pode mudar , melhorar. Mas você não pode agradar a toda gente. Como eu costumo dizer, trabalho é dar o litro: sangue, suor e lágrimas”, brinca. Mas ele se surpreendeu com o ótimo acolhimento do espectador. Para Fidalgo o saldo foi positivo. “Os brasileiros sempre me apoiaram e, depois de aparecer na novela, os elogios foram essenciais e serviram de motivação para continuarmos trabalhando. A todos vocês, o meu muito obrigado”, agradece.

No instagram, ele não esconde sua paixão pela cidade maravilhosa. 

 

HORA DE SE DESPEDIR

Depois de um tempo afastado da trama, Constantino volta com um visual bem diferente. Fidalgo tirou o megahair e raspou o cabelo. Depois de passar por maus bocados na masmorra, chegou a hora de dizer adeus. Com a morte do vilão, o ator se despede de Deus Salve o Rei. “Estou com a sensação de dever cumprido e com muito orgulho do que fiz”, afirma. Trabalhar no Brasil foi melhor do que ele imaginava e, dessa experiência, só guarda boas lembranças. “Levo um Constantino de Artanza, uma novela que ficará na minha memória para sempre, atores que jamais esquecerei, uma equipe de caraterização no meu coração, uma direção que sempre me apoiou e uma produção exemplar. Junte isto à cidade do Rio de Janeiro, e vou embora com lágrimas no olhos”, emociona-se. Cheio de compromissos em sua terra, ele conta que vai, mas que se apegou ao Brasil. “Assim que acabar a novela, tenho trabalho me esperando em Portugal. Mas, sem dúvida, meu coração ficará dividido”, revela. Mas não é um adeus, esse foi só o começo de sua história no Brasil. José Fidalgo avisa que pretender voltar a atuar aqui. “Claro que sim. Mais do que nunca, pelo público brasileiro e pelas pessoas que me apoiaram. A Globo construiu essa ponte”, conclui.

04/05/2018 - 19:46

Conecte-se

Revista Minha Novela